Corner é canto. E no cantinho do editor não é só levantar a bola para a área. Ainda mais neste canto privilegiado da imprensa esportiva que me convidou para editar. O que não é chefiar. É “escolher” na acepção do latim “Mister” básico do ofício de jornalista. “Mister” com a última sílaba tônica. Trabalhar com futebol é prazer de ofício.

Essa paixão que exerço há 29 anos por aprender a ler com revistas de futebol e aprender a história do jogo com o futebol de botão da minha infância que perdura. Se eu fosse menos velho talvez minhas horas em 2001/02 seriam com os saudosos Tó Madeira e Maxym Tsigalko do inesquecível Championship Manager. Lendas que a gente traz de volta a campo aqui neste Corner #9 como a velha canção [anterior ao meu tempo!]: “Love Potion #9”.

Temas de amor que parecem histórias de mentirinha como as de personagens que parecem reais como nossos heróis de CM. Realidades que parecem da “Copa do Mundo da Irlanda de 1968”. Você não conhece? Tudo que não aconteceu no futebol ocorreu na Copa do Mundo na Irlanda de 1968. Meu colega Marcon Beraldo criou esse inesquecível torneio para que todas as histórias do futebol pudessem ter um local e uma data para que fossem menos lorotas.

Até porque contra fatos existem argumentos no jogo. Um país na Costa da Guiné formado por escravos libertos e que teve um craque foi o melhor do mundo e acabou presidente do país, parece até Sessão da Tarde. Mas é tudo verdade na Libéria de George Weah.

Se você quiser também uma “turma da pesada que apronta mil confusões” — como se fosse chamada global pra sessão de cinema na telinha —, a gente tem a solução: Beijoca! Artilheiro do Bahia da época de Sapatão que também jogou com Zico no Flamengo.

O canto do editor atira para todos os lados. Parece nome de espião. Mas é um cara de casa. O curioso caso de Matt Le Tissier que não quis deixar o Southampton, nasceu na Ilha de Guernsey que fica quase na França, mas é “mais ou menos” da Inglaterra.

Entendeu? Não se preocupe. A gente está aqui para alternar o jogo. A gente vai e volta. Revive a atmosfera em torno do Boleyn Ground, numa fotorreportagem da antiga casa do West Ham.

Na fronteira entre os EUA e o México, o bicho pega e o futebol não foge à luta. No norte da África, a primavera árabe tomou as arquibancadas no Egito. O futebol não aliena. Ele faz a gente jogar junto. Ou minimiza as diferenças essenciais na vida em que, para que alguém ganhe, é necessário que outro perca.

Como então fazer em Amsterdã? A capital sem derby. Conheça as ovelhas negras do futebol holandês que deixaram a cidade do rio Amstel sem rival. Aproveite nossa viagem, desça até a Itália e, sob o sol da Toscana, conheça o guardião das grandes relíquias do Calcio.

Faça o nosso giro europeu e conquiste a Espanha como o Super Depor, o rival impensável de Real e Barça, noa anos 1990. Djalminha, filho da arte, elevou o Super Depor a “Euro Depor” com lambretas e outras confusões que ele mesmo conta, sem camisa, do seu jeito, simples e autêntico, na entrevista de capa.

Craque também daquele Palmeiras de 1996, uma aula de futebol da Academia 3.0, que foi eterno enquanto durou um só semestre no Paulistão que, então, era tão forte que até o Flamengo de Romário quis jogar!

Estadual onde Pelé marcou 467 gols pelo Santos dos 767 oficiais “Dele”, numa carreira com 1.282 gols. Isso você já sabe. Mas você conhece Josef Bican, o homem dos mais de cinco mil gols?

Prazer, Mauro Beting. Quem assina com prazer esta apresentação de uma edição feita por uma seleção que respeita o esporte. Não é ser saudosista contar a melancólica passagem de Garrincha pelo Olaria. É fato.

Quem vive de passado é quem tem história. Como o Atlético de Madrid, campeão mundial sem Champions! E o Figueirense campeão da Mercosul! Como assim?

Histórias que parecem de ficção e são coisa de cinema como um time de uma fábrica de cimento na Argentina que tirou a invencibilidade da poderosa União Soviética do início dos anos 1980.

Como o futebol e o narcotráfico bateram bola na Colômbia. Corner não é bola parada. Nosso time levanta a poeira e dá a volta lá pra cima mostrando o que este editor não tem a menor ideia do que seja: quem foi Lamar Hunt? Série da Netflix? Não: é o nome da mais antiga competição dos EUA: Lamar Hunt US Cup.

Para que serve essa Copa? Faça como eu. Leia. E faça como sempre devemos quando queremos entender a inexplicável América Latina que tanto parece o nosso futebol: perguntemos a Ariel Palacios. O jornalista fala sobre esse continente esquinado do planeta. Esse canto esquecido. Essa pelota que se perde pela linha de fundo em escanteio. Corner pra gente!

Melhor: Corner pra vocês.

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