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Madrid Club de Fútbol

O clube da República Espanhola

No folclore do futebol do século XXI, é fácil associar o FC Barcelona como o clube que lutou contra o franquismo na Espanha e o Real Madrid como a grande instituição do regime ditatorial de Francisco Franco. A verdade é bem mais complexa. Durante muito tempo, o regime de Franco aproveitou-se, sem dúvida, dos êxitos internacionais do clube da capital — entre outras coisas, por ser precisamente isso, o clube da capital —, mas nem o Real Madrid foi alguma vez a instituição do regime, nem sequer a sua base de adeptos e seguidores se pode associar com a extrema direita ou o franquismo, ao contrário do seu vizinho, o Atlético de Madrid. De tal forma, é isso que durante os agitados anos de La República, na década de 1930, o Madrid deixou cair a coroa do escudo e o Real do nome e afirmou-se como um dos mais fortes emblemas da causa republicana.

A mitologia é poderosa. Muitos meses depois da capital catalã ter caído nas mãos das divisões franquistas, Madri ainda resistia ao assédio dos tanques e aviões dos falangistas com o apoio alemão e italiano. O último bastião do republicanismo foi sem dúvida a capital espanhola, e ainda que quarenta anos tenham limpado essa herança, vinculando Madri definitivamente ao centralismo do regime, os últimos tiros da guerra foram disparados no céu da cidade.

Naturalmente que o triunfo de Franco ajudou a limpar essa memória e a história foi reescrita. Os grandes órgãos institucionais da cidade foram entregues a franquistas — como passou, aliás, em todo o país, Barcelona incluída — e isso incluía também os clubes de futebol. Em Madri, brilhavam dois emblemas rivais. O Atlético caiu nas mãos do exército, que o refundou com o nome de Atlético Aviación de Madrid e o transformou, de fato, no clube favorito do regime franquista, dando-lhe benefícios e ajudas extra-esportivas que o ajudaram a ser uma das grandes forças competitivas dos anos 1940. O Madrid Club de Fútbol, por outro lado, foi progressivamente ostracizado.

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Jornalista e escritor. Autor dos livros “NOITE EUROPÉIAS”, “SONHOS DOURADOS”, “SUEÑOS DE LA EURO” e “JOHA: A ANATOMIA DE UM GÊNIO”.Futebol e Política têm tudo a ver, basta conectar os pontos.O coração de menino ficou no minuto 93 da final de Barcelona.Estudou comunicação na Universidade do Porto e morou mais de uma década em Madri.

2 Comments

  1. julianoortiz

    outubro 24, 2021

    Que texto e história fantásticos. Não fazia ideia da história do Real Madrid e do impacto que Santiago Bernabéu teve sobre ela. Parabéns, Miguel!

  2. Luís Eduardo

    junho 22, 2022

    Você tem Redes sociais? Queria que você me indicasse sites ou artigos que fala do passado repúblicano do clube

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