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A linha de impedimento

O mundo conhece dois Tony Adams: o capitão do Arsenal por catorze anos e o homem que enfrentou o alcoolismo. Em ambos desafios, saiu vencedor.

Traduzido por Guilherme Jungstedt

Se alguém analisar as estatísticas da carreira de Tony Adams, não verá mudanças muito marcantes em 1996. Talvez chame a atenção o fato de que ele tenha jogado algumas partidas a menos do que o normal, nada estranho para um jogador de 30 anos que estreou ainda adolescente no futebol. Seu histórico, resumido em títulos e partidas disputadas, é exemplar. Nenhuma mancha: a fidelidade de ter vestido apenas uma camisa, a natureza excepcional de ter sido capitão do Arsenal desde os 21 anos, o sucesso incomum de ter usado a braçadeira em três décadas diferentes, o status de lenda na era em que os Gunners recuperaram o respeito. No papel, um mar de rosas. Mesmo assim, os números não mostram que 1996 foi, para Tony Adams, nascido em Romford, Londres, em 1966, o ano em que tudo mudou. Sob a pele do jogador de sucesso, havia uma vida a ser salva. A sua própria.

Ele parou de beber e se libertou. Contou tudo em sua autobiografia, “Addicted”, cujos lucros deram origem à Sporting Chance, fundação que, vinte anos depois, ajudou mais de mil atletas, que todos os anos batem à sua porta em busca de uma mão que os salve de seus vícios. O mundo mudou e o álcool que levou Adams a chegar ao fundo do poço perdeu força como substância viciante entre os jogadores do primeiro escalão. Hoje existem outros riscos na gaiola dourada em que vivem as estrelas. “Há uma epidemia de vício em jogo entre os jogadores da Premier League”, conta Tony, quando lhe pedimos para detalhar o trabalho que realizam no Sporting Chance, onde ajudam homens e mulheres de todas as modalidades esportivas, cada um com seu problema específico. Adams, do outro lado da tela, a quilômetros de distância e uma pandemia no meio, conversa com um entusiasmo cheio de vida. Expressivo, teatral, eloquente. E falador, como acredita que deva ser um zagueiro. “Algum atacante sempre acaba me dizendo: por que você não cala a boca?”

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