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Entrevista com Renan Bressan

Por Joel Amorim

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enan Bardini Bressan é um caso raro no mundo do futebol. Nascido em Tubarão, no Estado de Santa Catarina, no Brasil, foi o primeiro e — até segunda ordem — único jogador de nacionalidade brasileira a obter o passaporte bielorrusso e a tornar-se um dos melhores, senão o melhor, futebolista estrangeiro a actuar na principal liga daquela ex-república soviética.

Aos 28 anos de idade, após passagens bem sucedidas pelo FC Gomel, FC BATE Borisov e Rio Ave FC, o talentoso médio centro representa agora o APOEL FC do Chipre e vai aos poucos ganhando o seu espaço no conjunto cipriota.

Em Outubro de 2015, Bressan contou um pouco da sua história enquanto futebolista ao Russian Football News, entrevista essa que é agora reproduzida, pela primeira vez, em língua portuguesa, para ser publicada pela Corner.

O que o levou a deixar o Brasil e a sua cidade natal, ainda tão jovem, para rumar a uma liga algo desconhecida do grande público, como a da Bielorrússia?

Saí do brasil porque já tinha 18 anos na época e achei que tinha que correr o risco. Em princípio, eu iria assinar com um clube da Ucrânia mas acabou por ficar acertado na Bielorússia e o risco, pelo visto, deu certo!

O que recorda com mais saudades do período em que jogou pelo FC Gomel?

Tenho saudades do meu cabelo [riso]! Falando a sério, foi uma experiência nova na época, que me acrescentou muito. Acho que do que tenho mais saudades são o aprendizado da língua russa e o carinho que os torcedores tinham para comigo.

Na sua primeira época com o FC BATE Borisov, foi considerado o melhor médio da liga bielorrussa, foi o melhor marcador da liga e foi considerado por muitos como o melhor jogador estrangeiro de sempre a atuar no país. Considera que essa foi a melhor época da sua carreira?

Acho que as três épocas pelo Bate Borisov foram ótimas, cada uma com seus objetivos diferentes mas todas com muito sucesso! A primeira época ficou marcada porque foi meu primeiro título e o recebimento do passaporte, mas as três épocas foram impressionantes.

Considera o golo que marcou frente ao Bayern Munich em 2010 o mais importante da sua carreira?

Para mim, o golo mais importante sempre será o próximo mas se for contar até hoje foi o golo contra a seleção brasileira nas Olímpiadas de Londres em 2012! Mas claro que contra o Bayern e contra o Milan foram golos históricos também.

A sua passagem pelo FC Alania Vladikavkaz coincide, provavelmente, com o período mais negro da história do clube. Como é que descreveria esses dias?

Sobre o Alania, não gosto de falar muito porque foi o pior período da carreira, sendo que eu estava no auge naquele momento! Foi uma experiência válida também, é lógico, mas fico muito triste, até hoje, porque naquele momento era a hora de dar um grande salto na carreira e as coisas não correram bem pela falência do clube.

Quando chegou a Vladikavkaz, já faziam parte do plantel do FC Alania outros jogadores brasileiros. Sentiu que foram importantes na sua adaptação ou já reinava a “anarquia” financeira e organizacional no clube naquela altura?

Antes de ir para o Alania falei com os jogadores brasileiros e até aquele momento o clube estava bem financeiramente. Estava tudo certo e até por isso aceitei o convite. Depois da minha chegada e de vários outros, o clube entrou numa crise enorme. A  adaptação foi rápida porque o futebol e a língua eram iguais e então não tive problemas com isso.

Como descreve a relação do clã Gazzayev (Valery e Vladimir) com os jogadores e com os restantes elementos que compunham a estrutura do clube?

Os “Gazzayevs” fizeram de tudo para salvar o clube da situação, mas infelizmente não conseguiram. Posso garantir que eles amavam o clube e a cidade, até porque eles são de lá, mas infelizmente não conseguiram contornar a situação. Eles tinham muito respeito por jogadores e torcedores, por isso, a relação era óptima.

Sentiu que a passagem pelo Cazaquistão foi um passo atrás na sua carreira?

A passagem pelo Cazaquistão foi só pelo lado financeiro e posso dizer-lhe que não foi um passo atrás, mas sim uns três passos. Mas isso é passado e nem penso mais nisso, ainda tenho muito pela frente.

Sendo internacional pela Bielorrússia, equaciona algum dia voltar ao FC BATE Borisov ou tem em mente um dia voltar a experimentar a liga russa?

A Liga Russa para mim é um objetivo traçado, porque tenho a certeza que tive muita má sorte com o Alania e, por isso, minha história lá não acabou! Gostaria muito de um dia voltar a essa liga, num clube estruturado onde eu possa mostrar tudo o que possuo. Sobre o Bate Borisov, também gostaria muito, porque é um clube especial para mim, e, mesmo se um dia eu não voltar para lá, ficará sempre na memória, minha e de minha família!

(Entrevista publicada originalmente em Outubro de 2015, em inglês no russianfootballnews.com)

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About The Author

Joel Amorim

Natural da cidade do Porto, foi talvez o Rinat Dasayev que fez crescer a paixão pelo futebol soviético quando ainda sonhava vir a ser um grande guarda-redes, mas foram possivelmente os dois golos do Radchenko e a classe do Shmarov no Santiago Bernabéu, há vinte e cinco anos atrás, que me transformaram num consumidor ávido do futebol que se joga pelo leste da Europa. Apaixonado por Punk Rock e professor de inglês durante o dia, redactor de futebol de Leste e anti-acordo ortográfico depois do sol se pôr.

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