Quando Milan e Internazionale quiseram Falcão

No entanto, quis o destino que o jogador fosse Giallorosso

Ilustração: Éric Chinaglia

Falcão notabilizou-se como um gênio dos gramados por ser, à sua época, um jogador do futuro, do amanhã. Ele vestia a camisa 5 e desempenhava muito bem o papel defensivo naquele Inter espetacular, mas na trinca de meio-campistas formado ao lado de Batista e Caçapava era quem mais avançava no campo de ataque. Uma grande dedicação tática aliada à técnica apurada: dentro do que se considerava à época, Falcão era a imagem do que dizia-se ser o futebolista italiano.

O título brasileiro, conquistado de forma invicta em 1979, consagrou Falcão como o grande craque do país. Foi por isso que Dino Sani, ao ser perguntado pela direção do Milan – clube onde havia colecionado troféus quando jogador – sobre quem ele indicaria ao clube rossonero, não pensou duas vezes ao apontar o nome de Falcão. Sócrates e Zico já brilhavam por Corinthians e Flamengo, respectivamente, mas o momento do jogador do Inter era melhor.

Naquela época, o treinador do Milan era o sueco Nils Liedholm — autor de gol e assistência na derrota por 5 a 2 para a Seleção Brasileira na decisão mundial de 1958. Mas quis o destino que Dino Viola, empresário do setor de armamentos que buscava ter maior notoriedade pública, comprasse a Roma com planos de transformar aquele clube, até então modesto, em uma potência. Liedholm foi escolhido para ser o comandante, e apontou Falcão como principal reforço a ser contratado.

O brasileiro assinou contrato com a Roma no dia 10 de agosto de 1980, depois de ser vice-campeão da Libertadores ao perder a final para o Nacional do Uruguai. Falcão chegou à Itália logo após a abertura do mercado para estrangeiros, que havia durado 14 anos. Ao final do vínculo assinado por três temporadas, o catarinense de Abelardo Luz já havia se colocado entre os maiores de todos os tempos dos Giallorrossi, com um título de Coppa Italia e especialmente o Campeonato Italiano de 1982/83, acabando com uma fila de 39 anos.

Através de seu futebol, ganhou a alcunha de “Rei de Roma” e atraiu o interesse da Internazionale, que lhe ofereceu o maior salário do futebol italiano. O clube de Milão tinha como presidente Ivanoe Fraizzoli, um empresário de uma empresa de confecção que fornecia uniformes ao exército italiano. Os Nerazzurri conseguiram acertar com Falcão, mas uma articulação política acabou por destroçar os rumos daquela negociação.

Disposto a fazer de tudo para evitar a saída de seu maior craque, Dino Viola entrou em contato com Giulio Andreotti, ministro das Relações Exteriores da Itália e que já havia cumprido dois mandatos como primeiro-ministro. Andreotti era torcedor fanático da Roma e ameaçou Fraizzoli: se a Internazionale seguisse a insistir por Falcão, o contrato de fornecimento de uniformes para o exército  italiano seria rompido e a empresa correria risco de falência. Foi em meio às lágrimas que o mandatário interista explicou a situação a Cristóvão Colombo, empresário do craque brasileiro. O acerto seria impossível, como relata Paulo Vinícius Coelho no livro Bola Fora.

Na Roma, Falcão recebeu aumento e passou a ter o maior salário do futebol italiano. Mas o valor era consideravelmente inferior ao oferecido pela Internazionale. Desta forma, ele disputaria a temporada 1983/84 ainda no clube da capital. Por causa de lesões não conseguiu ter a mesma regularidade dos anos anteriores, mas ajudou a Roma no caminho até o vice-campeonato da Copa dos Campeões da Europa e em outro título de Coppa Italia. Em 1985, Falcão retornava ao Brasil para defender as cores do São Paulo.

Embora tenha sido cobiçado pelos dois gigantes de Milão, Falcão estava destinado a se eternizar no clube da Cidade Eterna.

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