Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!

Paixões unidas: Dinheiro, poder e futebol

Em meio à renúncia de Joseph Blatter, prisão de dirigentes e investigação de membros da FIFA, filme financiado pela entidade é lançado nos EUA, sem saber o que realmente mostra

1 Paixões Unidas (Reprodução)
Livraria FC

Por Fernando Martinho

Como bem dissertou o jornalista inglês Andrew Jennings, o filme Paixões Unidas, lançado nos EUA, tem a clara e manifesta intenção de limpar a imagem daqueles que sujaram o jogo. A produção é francesa e foi financiada pela FIFA. O mais curioso é o timing do lançamento. Dias após a renúncia de Joseph Blatter, o filme que se propunha a melhorar a imagem dos dirigentes da instituição, cairá como uma piada de € 16 milhões.

No programa Last Week Tonight, o apresentador John Oliver foi brilhante ao abordar o assunto. Ele disse não saber o que mais lhe chamou a atenção: se foi a prisão de executivos da FIFA ou o envolvimento dos EUA no caso. As investigações partiram de um país que pouco se importa com o futebol, apesar do pujante crescimento recente da MLS.

O ponto alto foi a constatação de que o mundo inteiro passaria a ver os EUA com outros olhos, caso as investigações cheguem até Blatter. Contudo, as chances de mudanças substanciais na FIFA também seriam potencializadas caso os atuais patrocinadores da entidade resolvessem retirar seus apoios econômicos.

O texto de Oliver termina de maneira sarcástica, claro, mas arrebatadora. No final das contas, quem se prevalece do poder da FIFA são os patrocinadores, que garantem sua visibilidade com a exploração de ativos da Copa do Mundo – placas no campo,  bola, logo, mascotes, taça – e, por contrato, têm prioridade na negociação com as emissoras de TV que adquirem os direitos de transmissão. É exatamente isso. O verdadeiro poder da FIFA está nas mãos dos seus parceiros comerciais.

Voltando ao filme, o título sugere – ou melhor, sugeria – uma união de paixões pelo futebol. Hoje, a interpretação é outra. As paixões unidas são, na verdade, pelo poder e pelo dinheiro. Frank Underwood, protagonista da série House of Cards, teria inveja da conjugação de power & money que Havelange, Blatter e seus vice-presidentes aplicaram ao longo de mais de quarenta anos.

As frases extraídas do próprio longa-metragem, agora parecem conspirar contra os próprios conspiradores. Nada melhor do que a citação no frame acima: “Uma instituição como a nossa não pode viver só de boas intenções”. Mas o melhor – ou pior – da frase, não é a afirmação de que a FIFA não pode viver só de boas intenções, mas sim, o pronome possessivo referindo-se à instituição. Um grave erro de narrativa e roteiro. Só não é mais burro do que o timing de lançamento nos EUA.

O trailer acima é suficiente para encontrar outras frases como “nossas finanças são um desastre”, dita por João Havelange (interpretado por Sam Neill). Já o ator Tim Roth, que interpretou Sepp Blatter, teve que pronunciar cada palavra da frase “não sei para onde foi o dinheiro”. Atribuições que soavam elogiosas como “parece que Blatter é bom em conseguir dinheiro” e “FIFA e Adidas assinarão o maior acordo que o mundo já viu”, hoje são relidas e reinterpretadas de maneira jocosa. Mas a melhor, sem sombra de dúvidas é “você foi traído, pode ir pra prisão”.

No início do trailer, outra pérola tenta posicionar a FIFA e Jules Rimet como agentes ingênuos dentro do cenário político internacional. O representante do Uruguai diz: “Sr. Rimet, você precisa do dinheiro e nós da Copa do Mundo”. Desde a primeira edição do Mundial em 1930, nada parece ter mudado em Zurique.

Compre a sua Corner #8
Não há mais artigos
Mantenha-se informado sobre nossos textos e produtos.
Assine a nossa newsletter.

Nome e sobrenome
Email

lLY6MIY3oL0