Registrar
Uma senha sera enviada para seu e-mail

Um pequeno recorte da realidade vivida pela maioria dos jogadores profissionais do Brasil

Por Fernando Martinho

P

roduzido para o canal Futura, o curta mostra uma realidade — não muito distante, porém — que ninguém vê. Embora esteja logo ali, sendo jogada no estádio do bairro, ou nos treinamentos em campos quase de várzes, esse futebol representa a ampla maioria daquilo que há no Brasil. O jornalista e filmmaker carioca, Luciano Pérez Fernández escolheu um encontro de times da Série C do campeonato carioca para contar uma história, que reflete — à perfeição — outras milhares, de jogadores profissionais mas que trabalham de outra coisa.

A produção foi feita durante à Copa de 2014, que recebia jogos no Maracanã, ao lado de cenário principal: o Estádio Figueira de Melo, batizado de Ronaldo Luis Nazário de Lima. O ex atacante da Seleção Brasileira começou sua carreira no futebol de campo ali, como bem ilustra os dizeres pintados no muro do estádio do São Cristóvão: “Aqui nasceu o fenômeno”.

Quantos fenômenos passam por esses campos? Quantos fenômenos que não dão certo jogam esses campeonatos? De acordo com os dados exibidos no próprio filme, levantados pelo Bom Senso FC, no Brasil, 684 clubes disputam futebol “profissional”, dos quais 496 jogam somente campeonatos estaduais em condições longe de serem, sequer, semi-profissionais. Esses campeonatos duram em média três meses, e deixa mais de 12 mil atletas desempregados ao fim das competições.

A realidade é a mesma, do sul ao norte e de leste à oeste do país, contratos fictícios, nenhum salário, campos péssimos, estrutura pífia, jogos arranjados, empresários charlatões etc. No filme, que pode ser assistido acima, Luciano Pérez Fernández mostra dois jogadores de lados opostos na Série C do futebol carioca. Douglas Castanheira do Atlético Rio, que vende sanduiches em uma barraquinha à noite; e Átila Júnior do São Cristóvão, que trabalha em uma peixaria; contaram como eram suas vidas fora de campo.

Atlético Rio e São Cristóvão se encontravam, e as histórias deixaram de ser paralelas. O Atlético Rio foi goleado e posteriormente eliminado da competição. Já o São Cricri, como é chamado, avançou e conseguiu ser promovido à Série B carioca.

O curta, no entanto, mostrou muito mais do que o jogo e a realidade de atletas. Outro trabalho que foi bem destacado foi o de Marcelo Medrado. Que muito mais que técnico de futebol, ou de estudioso de táticas, se mostrou um tremendo psicólogo, ou palestrante motivacional. É possível ver com amplitude o seu enorme empenho em motivar atletas que não recebiam salários, que vinham mal no campeonato, enfim. Marcelo também não é único. Outros vários milhares de treinadores muito mais são motivadores do que técnicos.

O filme circulou em diversos festivais no mundo todo: Cinefoot (Brasil), Football Film Festival (Austrália), Milano International Ficts Fest (Itália), Flutlicht Fussball Film Festival (Suiça) e 11MM (Alemanha). Venceu os prêmios de melhor curta do Cinefoot em 2015, e no Football Film Festival da Austrália,  foi premiado como melhor curta do festival e melhor curta-metragem estrangeiro.

Visite nossa loja virtual e adquira as edições impressas da revista! Os textos publicados nas revistas são exclusivos e não são republicados no site, nem vice-versa. Garanta seu exemplar, colecione e leia a Corner.

About The Author

Fernando Martinho

Jornalista e publicitário. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 97 ou de Petković em 2001). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. À noite, ataca como DJ e nas horas vagas, caminha com cães.

Related Posts