O virgem de (quase) quarenta jogos

Jack Rodwell, expectativa e decepção no futebol inglês

Medellín, 29 de julho de 2011. A Inglaterra estreou no Mundial Sub-20 com um empate sem gols ante a Coréia do Norte, reflexo da composição do elenco. Com diversas negativas dos clubes da Premier League, foram convocados atletas de qualidade questionável, ainda que jogassem na base de grandes clubes. Tanto o é que, anos depois, apenas cinco deles, dentre os 21, permaneceram em um time da primeira divisão inglesa. Diante das circunstâncias e do baixo interesse nacional nesta competição, a ausência de jogadores de talento, como Jack Rodwell, não causou alarde.

A situação de Rodwell era parecida com a de Neymar. Destaques de todas as seleções de base, não foram à Colômbia por já serem considerado peças de suas equipes principais. A estréia do meio campista pelos Three Lions ocorreu no mesmo ano de 2011, quando o jogador de vinte anos entrou no começo do segundo tempo do amistoso contra a Espanha. Fábio Capello, à época técnico da seleção, encantara-se com a atuação dele: “Eu o conhecia, mas nunca pensei que um jogador tão jovem, em sua primeira partida, poderia estar tão pronto, tão bom para jogar neste nível”. Após a vitória inglesa por 1 a 0, Rodwell foi titular dias depois contra a Suécia. E então tudo mudou.

A Inglaterra avançou às oitavas-de-final daquele mundial após também empatar em zero os dois outros jogos, mas a Nigéria saiu vencedora do confronto e os ingleses voltaram para casa sem marcar nenhum gol. As lições aprendidas em 2011 serviram para pavimentar o caminho das seleções de base e, assim, em 2017, a Inglaterra foi campeã mundial sub-20, na primeira final desta dimensão desde 1966.

Entre o fracasso na Colômbia e o sucesso na Coréia do Sul, Jack representou a Inglaterra apenas em poucos minutos contra o Brasil, em 2013, num jogo amigável. A nível de clubes, sua carreira também degringolou. De joia rara a detentor do maior recorde negativo da Premier League, o que aconteceu com Jack Rodwell? É verdade: bastava Jack constar na lista de titulares que o seu clube não venceria a partida do campeonato inglês. A sina de 39 jogos começou com o Manchester City, para o qual se transferiu, em 2012, por £15 milhões, após despontar no Everton.

Conquanto tenha alegado, em especial numa entrevista ao The Independent, que a sua saída dos Toffees foi no intuito de conquistar títulos e de participar da Champions League, a impressão deixada nos torcedores do Everton é outra: mais um caso de deslumbramento com dinheiro. No clube azul de Liverpool, Jack começou aos sete anos de idade. As expectativas sobre seu talento eram tamanhas que estreou aos 16 na equipe principal, o mais jovem de todos os tempos. Zagueiro de origem, o então técnico David Moyes resolveu avançá-lo pro meio-campo, em parte por receio da juventude de Rodwell e em outra por uma aposta em sua qualidade.

Mancini, que o contratou, deu chances a Jack no estrelado City, porém foi impossível para ele ter uma boa sequência de partidas, pois constantemente se machucava, ficando afastado por longos períodos. Com a queda de Capello, o novo treinador da Inglaterra, Roy Hodgson, deixou claro que dificilmente convocaria jogadores com baixa minutagem em campo. O aumento contínuo das receitas a partir da exploração midiática Premier League resultou na vinda exponencial de estrangeiros, afetando a maturação dos jovens talentos ingleses, apesar dos esforços da Football Association.

Foram quase quarenta jogos sem vitória, de maio de 2013 a fevereiro de 2017, dois pelo City e trinta e sete pelo Sunderland, que contratara o jogador em 2014, por uma quantia em torno de £10 milhões, em decorrência da troca do comando técnico do City. Mancini deu lugar a Pellegrini, que não via espaço para Rodwell.

Jack Rodwell ainda não conseguiu ratificar as expectativas nele depositadas, voltar à seleção ou se livrar das lesões, mas ao menos não é mais o titular virgem de vitórias dos Black Cats na Premier League.

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