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A dedicação de Angelo Di Livio pela Fiorentina não teve divisões

Por Jessica Miranda

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 ano era 1993 e a Juventus contratou dois atletas do Padova, time da segunda divisão italiana. Um era o jovem Alessandro Del Piero, e o outro, um jogador que apenas aos 27 anos estrearia na Serie A: Angelo Di Livio. Jogaram juntos por seis anos, até a Velha Senhora não querer renovar o contrato do meio-campista e ele trocar Turim por Florença. Mas se a trajetória de Del Piero é mais notória e famosa, a de Di Livio não deixa por menos: ambos se tornaram capitães amados e idolatrados por suas equipes.

“A velha Fiorentina não existe mais, e é vital que um novo clube seja criado para representar Florença”, afirmou, em 2002, o presidente da Liga Italiana, Adriano Galliani, em matéria da Folha de São Paulo. Acumulando mais de U$22 milhões em dívidas, apesar da venda das grandes estrelas que o produtor de cinema e político Vittorio Gori contratara — como Batistuta e Rui Costa —, a Fiorentina foi à falência e teve de recomeçar na quarta divisão italiana.  Impedida pela Justiça de se valer dos símbolos reconhecidos mundialmente, o clube foi rebatizado como Florentia Viola, recuperando-os nos idos de 2003, com a ajuda dos irmãos Della Valle.

Di Livio disputa bola com Zidane (Foto: Getty Images)

Entre se aposentar aos 36 anos ou trocar de time como fizeram todos seus companheiros de equipe, Di Livio optou pelo impensável para um jogador com a sua trajetória: ele escolheu ficar e, ciente da sua importância, aceitou reduzir bruscamente o salário recebido. Mas o Soldadinho, alcunha recebida pela sua capacidade de correr e acompanhar adversários pelos lados do campo, praticamente não participou da campanha na última divisão profissional: Angelo sofreu uma ruptura do ligamento cruzado, a ponto de cogitarem a sua aposentadoria forçada.

Em uma decisão polêmica e repleta de nuances do Caso Catania, a Fiorentina foi beneficiada com a expansão da Serie B — de 20 para 24 times —, e não precisou disputar a terceira divisão na temporada 2003/2004. Tal vantagem ficou apenas na teoria, pois a reestruturação após a falência demandava não apenas recursos e sim também tempo de organização. Neste cenário, a atuação de um capitão é ainda mais valorizada, dentro e fora de campo. Após a sexta colocação na segunda divisão, onde atuou em quase todos os jogos, Di Livio liderou o clube nos play-offs, vencendo o Perugia.

A épica partida contra o Brescia (Foto: Getty Images)

Mas seu corpo não aguentou a intensidade da primeira divisão e por isso Di Livio disputou poucas partidas na temporada 2004/2005. Contudo, ele esteve presente e foi o homem do jogo mais importante do campeonato nacional, na derradeira rodada. A Fiorentina estava na zona de rebaixamento, a dois pontos do Brescia, então somente a vitória manteria a equipe na elite. Em sua última partida profissional, o soldadinho Di Livio comandou como um general, acabando com o jogo: 3 a 0, para delírio dos presentes no Stadio Artemio Franchi, que eternizou o mais honrado dos capitães.

“No longo prazo, os princípios são mais importantes do que a conveniência”, dizia Alex Ferguson. Di Livio deixou para trás o que lhe seria mais conveniente e seguiu seus princípios, só se retirando dos gramados com a garantia de que sua Viola estaria em casa, ou seja, na primeira divisão.

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