Um craque odiado pelas Copas

Uma lenda que jamais disputou um jogo de Copa

A história das Copas do Mundo pode ser contada sob inúmeros aspectos. Entre eles, a perspectiva que dá conta das injustiças “cometidas” pelo torneio a alguns dos grandes nomes que já disputaram seus jogos: Cruijff, Zico, Platini, Puskas, Eusébio… É extensa a lista. Há também a galeria dos jogadoraços que sequer chegaram a participar de uma edição do torneio, seja porque suas seleções nunca se classificaram ou porque não foram convocados para a lista final como Giggs, Weah, Cantona, Alex, Petković, só para citar alguns nomes mais conhecidos.

Mas há um caso especialmente curioso, que leva à sensação de que a principal competição mundial de seleções fez de tudo para “fugir” de um jogador — e não se trata de qualquer jogador. Trata-se de Alfredo Di Stéfano.

Nascido na Argentina, começou a se destacar pelo futebol local a partir da segunda metade dos anos 1940. Pela albiceleste, marcou quatro gols em seis partidas disputadas durante a Copa América de 1947. No entanto, tratava-se de uma década absolutamente nula para a história das Copas, já que a Segunda Guerra Mundial impediu a realização do torneio em 1942 e 1946.

A Copa de 1950 poderia ser a primeira de Di Stéfano: poderia, não fosse sua adesão a uma greve provocada por jogadores argentinos que abandonaram o país para jogar em clubes da Colômbia, onde encontrariam as condições profissionais que pleiteavam. O futebol colombiano, no entanto, não respeitava algumas diretrizes da FIFA — como a limitação do número de jogadores estrangeiros, por exemplo — e, por isso, sua Liga Pirata não era reconhecida pela entidade. Impossibilitada de contar com seus melhores jogadores e com sua federação de futebol politicamente isolada no continente, a Argentina boicotou o torneio.

Em 1954, Di Stéfano já era jogador do Real Madrid. O Mundial da Suíça naquele ano foi o terceiro seguido sem a participação de seu país de origem. A Argentina sequer participou das eliminatórias para o torneio, motivada, desta vez, por orientações políticas do governo de Juan Domingo Perón.

A Copa da Suécia, em 1958, marcou o retorno da Argentina à disputa dos Mundiais. Um ano antes, contudo, La Saeta Roja, já com 31 anos de idade, decidiu defender as cores da Espanha. Ironicamente, sua participação nas eliminatórias européias não foi suficiente para levar a Fúria à disputa do torneio. Naquela época, o Real Madrid conquistou por cinco vezes consecutivas a recém criada Copa dos Campeões [de 1955/56 a 1959/60].

A última chance veio no Mundial do Chile, em 1962. Era também a última Copa em que a FIFA permitiria a inscrição de jogadores que defenderam duas seleções diferentes em torneios oficiais. Dessa vez, a Espanha classificou-se para a disputa e levou um time que ainda contava com Francisco Gento e Ferenc Puskas. Sim, Di Stéfano foi para uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua brilhante carreira aos 35 anos de idade, longe das condições físicas que o consagraram. Ele jamais entrou em campo e a Espanha foi eliminada na primeira fase.

A história das Copas do Mundo pode ser contada sob inúmeros aspectos. Mas quando se trata de Alfredo Di Stéfano, o único relato possível é o que representa um genial multicampeão que sequer deixou o banco de reservas em sua única oportunidade no principal torneio mundial de seleções.

Azar da Copa, da Espanha, da Argentina ou do jogador? Diante do tamanho de Di Stéfano, isso não tem qualquer importância.

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