O Antonín e a Panenka

O espírito daquele pênalti de 1976 em Belgrado, agora em forma de papel

Acreditar em uma publicação impressa nos dias de hoje pode parecer arriscado, mesmo quando o assunto é o esporte mais popular do planeta. Mas a revista espanhola Panenka demonstra que boas histórias sempre encontrarão leitores assíduos. O próprio nome da revista já deriva de uma das boas: durante a final da Eurocopa de 1976 entre Alemanha Ocidental e Tchecoslováquia, Antonín Panenka inventa a cobrança de pênalti que no Brasil é conhecida como cavadinha.

A revista enfrenta o duríssimo mercado editorial alimentada pelo espírito libertário do ex-jogador. A visita à sede da Panenka em Barcelona, capital da Catalunha e o papo com Aitor Lagunas, Roger Xuriach, Alex López Vendrell e Carlos Martín Rio mostrou que pareciam saber aonde queriam chegar com uma publicação impressa.

Que caminhos editoriais vocês buscaram?

Aitor Lagunas: Isso foi sendo gerido no dia a dia. Roger [Xuriach] se encarrega da seleção dos assuntos. Na maioria das vezes, decidimos internamente. Freqüentemente chegam sugestões e ideias da Argentina e do México, entre outros países. Isso é legal porque concretiza nossa proposta de fazer uma revista de futebol sem nenhuma fronteira geográfica. Isso faz da Panenka uma revista global.

Roger Xuriach: Chegam histórias onde o futebol é uma desculpa, digamos, com caráter social, político e cultural. Emergem de diferentes pessoas, anônimas e conhecidas. O que observamos é que chega muita coisa da América Latina em geral. Isso casa perfeitamente com nosso slogan e também com o que pretendemos, que é fomentar O Futebol Que Se Lê. Sempre saindo do clichê, cuidando muito do estilo e da forma de narrar.

A revista é hoje o que vocês sonhavam ou o objetivo vai sofrendo mutações com o passar do tempo?

Roger Xuriach: Vão passando várias etapas. Tínhamos certeza do que queríamos ser quando atingíssemos a maturidade. Mas até lá, passaram-se diferentes fases. As dinâmicas de trabalho pareciam mais caóticas no princípio, mas nosso foco editorial sempre foi muito claro. Sempre soubemos onde queríamos chegar.

Aitor Lagunas: Talvez o que sofreu mais mudanças foi a visão empresarial, pois era onde tínhamos a maior insegurança. Nós somos jornalistas. Nos dedicamos a preencher espaços na diagramação. Sabíamos que histórias iam sobrar. Mas tivemos que aprender obrigatoriamente o lado empresarial. Tivemos que desenvolver diferentes iniciativas para aprender durante o processo, mas sem colocar em risco a viabilidade do negócio.

O desafio empresarial é o mais difícil?

Alex López Vendrell: Foi como disse o Aitor. No princípio, nossas expectativas foram – como diria Diego Simeone –, jogo a jogo. Sem colocar metas muito elevadas nem de longuíssimo prazo. Mas depois de comprovar que existe um público que nos lê, que assina a revista anualmente e que também existem marcas que apostam em um material diferente como o nosso, ainda jogamos jogo após jogo. Nosso crescimento é bem interessante. E também há um mercado em torno da cultura futebolística que antes não existia

Mantenha-se informado sobre nossos textos e produtos.
Assine a nossa newsletter.

Nome e sobrenome
Email

Tp2HZNheCZ8