Clube Empresa

Abordagens críticas globais às sociedades anônimas no futebol

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Apresentação

Dentre os esportes coletivos, o futebol é o esporte dos coletivos. Sua dimensão sociocultural, sua capacidade de mobilizar afetos, de formar identidades, de gerar pertencimento e de constituir comunidades não encontra comparação cabível entre outras práticas esportivas. O futebol de hoje é o resultado de um jogo que se moldou por causa – e pelas mãos – desse aglomerado que no Brasil chamamos de “torcida”.

De tempos em tempos os públicos do futebol voltam a ganhar novas significações. Sua rica diversidade convive em conflito nesse universo de consumo intenso e quase ilimitado de futebol. A oferta de jogos 24h por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano, ganhou, na última quadra histórica, o reforço da elaboração ininterrupta de produtos consequentes à indústria do futebol, como os mercados de videogames, de produção audiovisual, editorial e de bens supérfluos portadores das suas “marcas”.

Afinal, jogadores e emblemas de clubes constituem-se como marcas indissociáveis do “produto futebol”. Estrelas mobilizam audiência para os clubes, que valorizam as imagens a serem vendidas: o espetáculo enquanto produto central mobiliza olhos, mentes e corações a serem oferecidas para o bombardeio publicitário em uma indústria esportiva cada vez mais midiatizada e desgarrada do esporte em si. O consumo do “evento jogo de futebol” deixou há tempos de ser a sua única linha de atuação.

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Capítulo 7

Por Asociación de Hinchas Azules¹

No Chile, o modelo neoliberal entrou em crise e, juntamente com ele, o mesmo modelo de futebol empresa. Em 18 de outubro de 2019, o povo do Chile foi às ruas para denunciar as décadas de abuso por parte de um sistema implantado em uma ditadura e aprofundado pelos governos democráticos subsequentes. O processo de instauração do neoliberalismo começa em 1980, por meio de uma mudança constitucional que assentou as bases do modelo de livre mercado, reduzindo o tamanho do Estado e iniciando o processo de privatização de serviços básicos que, até então, eram bens públicos. A partir de então, um frenesi começou a privatizar cada mínima parte da sociedade chilena; empresas estatais, água, saúde, aposentadorias, educação: tudo isso foi deixado nas mãos de empresas privadas que dividiram o Chile entre si sob a promessa de uma administração mais eficiente. No âmbito dessa mesma promessa de privatização, os clubes esportivos profissionais foram a última etapa do processo. Seu ponto culminante encontra-se em 2005, com a transformação deles em sociedades anônimas. Isso aconteceu com a promulgação da Lei n. 20.019 de Sociedades Anônimas Desportivas Profissionais. No caso do Club Universidad de Chile², foi a Azul Azul S.A. que obteve a concessão em maio de 2007. Desde então – no curto período de quatorze anos –, essas concessionárias expuseram as falhas da administração privada no futebol. Junto com isso, o futebol e o seu componente social se uniram às diferentes demandas sociais após a revolta iniciada em outubro passado.

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