A constante reconstrução em Anfield Road

A incessante busca do Liverpool

Após a Copa do Mundo de 1998, a França foi eleita como a seleção onde se jogava o mais moderno futebol do planeta, acomodando Zidane num esquema com apenas um atacante. Gerárd Houllier — assistente de Aimé Jacquet naquela Copa da França — foi contratado pelo Liverpool para uma grande reformulação: trouxe jovens como Heskey, mandou embora Paul Ince e implantou o mesmo modelo de jogo francês, usando rodízio e intensidade como novidades metodológicas à época.

Rafael Benítez era um novato quando chocou a Espanha com o Valencia. O time era ofensivo, com leveza nas jogadas que iniciavam em Aimar. Benítez provou que o 4-2-3-1 mostrado lá atrás pela França não era modismo, mas sim, a nova tendência tática do futebol europeu. Foi assim que montou o surpreendente Liverpool de 2005, com Alonso iniciando o jogo para Harry Kewell, Luis García e John Arne Riise — os três homens atrás do centroavante.

Quando Brendan Rodgers chegou aos Reds em 2012, o modelo era o Barcelona. O galês havia montado praticamente uma filial catalã no Swansea, com posse de bola, passes curtos e posicionamento avançado para agredir o oponente já no campo de ataque. Em três anos, o Liverpool atuou freqüentemente com três zagueiros, Gerrard jogou perto da zaga e Coutinho explodiu indo de meiocampista a atacante.

Em comum, representantes do mais moderno no futebol e que chegavam para renovar o Liverpool. Jürgen Klopp não foge à regra.

Entender o alemão em Anfield Road passa por Mourinho, Heynckes e Ancelotti. Todos bateram o modelo barcelonista com intensidade, contragolpe e estudo do adversário. Na Alemanha, Klopp usava o mesmo modelo — que costumou chamar de “futebol rock & roll” — para vencer duas Bundesligas com o Borussia e conquistar vitórias sobre o Bayern, já sob a batuta de Guardiola.

Jogo direto, coletivo e veloz que bebe um pouco da fonte de Bielsa na intensidade aplicada, em Guardiola na troca de passes curtos quando o adversário se recolhe e em Mourinho na obediência e “união” de pensamentos. É antes de tudo, um modelo flexível, que pode propôr ou reagir, de acordo com o que pedem os jogos e os adversários.

Klopp não chegou ao Liverpool por ser cool ou por estar na moda. Chegou porque oferecia o que Houllier, Benítez e Rodgers ofereceram em suas épocas: inovação, ruptura e futuro. Uma silenciosa e cotidiana revolução em Anfield Road.

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