Juan Pablo Sorin

Juampi sem barba, na Corner #2

Como jogava bola. Todo mundo queria tê-lo no time. Vinha de trás, corria e atacava. A cabeleira, que remonta a seu gosto pelo rock’n’roll clássico, se destacava tanto quanto seu futebol. Desde que o treinador José Pekerman deu-lhe a braçadeira de capitão da Argentina sub-20 em 1995, ele já era visto como um jogador capaz de desempenhar diferentes funções, além exercer uma liderança natural em campo. Onze anos após o título mundial sub-20, Pekerman voltou a escolher Juan Pablo Sorin como seu capitão — dessa vez, para o time principal que disputaria a Copa de 2006, na Alemanha. Mas o ex-jogador se distingue também pela forma de falar — não pelo sotaque, mas por se expressar tão claramente numa língua diferente da sua nativa.

Na rua Gavilán n° 2.151, ele estaciona o carro e desce com um cabide que sustenta um paletó e uma camisa. O estádio do clube onde tudo começou para aquele Juampi dos anos 90 foi o cenário do encontro que rendeu esta entrevista regada a muito mate — bem amargo, sem açúcar — num brando inverno portenho.

Conhecido como La Paternal, o estádio do Argentinos Juniors leva o nome oficial de Diego Armando Maradona. Foi no Bicho — simpático apelido dado ao clube —, em 1994, que Sorin deu os primeiros passos de sua trajetória profissional, que seguiu dos campos para o jornalismo.

Já fazia um tempo que Sorin não passava por lá. Logo na entrada, enquanto atravessava uma espécie de memorial do Semillero Del Mundo [em tradução livre, “Sementeiros do Mundo”], olhava e comentava com entusiasmo cada uma das imagens dos jogadores revelados ali, naquele mesmo clube.

Já com a água quente e a erva no mate, era hora de subir para o campo. O prognóstico de chuva se desfez com a chegada do sol naquela tarde. Enquanto se vestia ali mesmo no banco de reservas, Sorin olha para a câmera e pergunta: “Que lente é essa?”, dando início a uma breve conversa sobre as possibilidades do equipamento.

Depois de passar pelo recém-reformado vestiário do time da casa, ele sobe até a arquibancada e serve um pouco mais de água quente em seu mate, relembrando alguns shows de rock a que costumava assistir quando ainda vivia na Argentina.

Você já se imaginou lotando um estádio de futebol como músico em vez de jogador de futebol?

Não. Eu sempre curti muito jogar em estádios lotados e já pude fazê-lo em estádios maravilhosos. Mas também já fui ver shows em vários deles. O que mais mexeu comigo foi, talvez, o do Los Redonditos de Ricota, no Parque Patrícios, estádio do Huracán, em 1994. Também fui vê-los no Cilindro de Avellaneda — casa do Racing — e em outros locais em Córdoba e Tandil. Mas, logo quando eles tocaram no Monumental de Nuñez, eu já não estava mais no River. Jogava pelo Cruzeiro, estava concentrado e escutei o show inteiro pelo telefone. Sempre curti muito a música, mas nunca me imaginei tocando e jamais quis ser uma estrela do rock. Ainda mais com uma esposa que canta [Sol Alac]. Graças à carreira dela, aproveito para curtir um pouco o clima do backstage.

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