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Sujando o jogo

De Havelange a Blatter, a fórmula política das escolhas lucrativas de países-sede da Copa do Mundo

Em 1982, a FIFA entendeu que entregar a Copa seguinte à Colômbia não era um negócio rentável. Durante dois anos, montou uma armadilha à organização local enquanto jogava com os direitos da competição num leilão imaginário para dar a sensação de escolha democrática. Nada mais longe da verdade. Na Espanha, o presidente da FIFA, João Havelange, já tinha decidido vender o Mundial à Televisa. Foi a primeira vez na história que uma transnacional marcou o rumo da história dos Mundiais.

Jack Warner, um dos maiores pesadelos de Sepp Blatter, sabe como tudo aconteceu. Foi o elemento nuclear no esquema montado por João Havelange para transladar a organização do torneio da Colômbia para o México. E, sobretudo, para dar uma sensação de transparência no processo. O então dirigente da CONCACAF liderou o comitê designado por Havelange, que viajou até Bogotá para discutir a organização com a federação colombiana. O país tinha assegurado a organização do certame nos anos 1970, seguindo a política de rotação continental.

Depois da sua reeleição, contudo, a diretoria de Havelange precisava desesperadamente de dinheiro fresco para as arcas da FIFA e parecia evidente que um Mundial na Colômbia não era o melhor caminho para consegui-lo. Aproveitando a escalada de violência que o país vivia, com os sucessivos levantes das FARC, a visita de Warner era já uma sentença cantada pelo brasileiro que presidia a entidade máxima do futebol mundial.

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Jornalista e escritor. Autor dos livros “NOITE EUROPÉIAS”, “SONHOS DOURADOS”, “SUEÑOS DE LA EURO” e “JOHA: A ANATOMIA DE UM GÊNIO”. Futebol e Política têm tudo a ver, basta conectar os pontos. O coração de menino ficou no minuto 93 da final de Barcelona. Estudou comunicação na Universidade do Porto e morou mais de uma década em Madri.

2 Comments

  1. julianoortiz

    dezembro 21, 2021

    Ontem prestigiei o episódio #12, do especial de 1 ano do podcast Futebol de Bolso, do Brás Assunção, e duas coisas me fizeram voltar e ouvir novamente os trechos em questão. O mais emblemático, sem dúvida, foi a emoção com que o Fernando Martinho foi tomado ao falar da Corner e dos desafios de 2021. Ao amigo, desde já, estendo meus cumprimentos e desejo todo sucesso à grupo (revista, editora, branding como um todo. Não deixem a peteca cair, pois a Corner é gigante, meus amigos.

    O segundo ponto, não menos importante, é a admiração e amizade que o tempo fez questão de desenhar como as curvas suaves traçadas pelas mãos de Oscar Niemeyer. Uma amizade, sem dúvida, de admiração mútua. É raro ver alguém falar de um amigo como o Fernando falou a respeito de ti, Miguel.

    Desejo sucesso a ti, MIguel, e ao Fernando também. Viva à Corner e ao futebol que se lê nas entrelinhas. Azar da FIFA, haha.

    Abç.

  2. França’98 em onze atos – Corner

    janeiro 24, 2023

    […] já atuava há mais de 20 anos na FIFA, mas nova porque era o primeiro presidente pós-Havelange. A política “inventada” por Havelange para se manter no poder foi aprimorada durante a gestão B… — e os zeros do balanço financeiro da entidade só aumentaram. Dizem que as propinas também… […]

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