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A descida ao inferno

O calvário do Liverpool e o fim do Boot Room

Heysel doeu. Muito. Um duro golpe no futebol britânico, mas, sobretudo, na imagem de um clube que, no início do hooliganismo, fora sempre uma referência de comportamento e de atitude positiva por parte dos seus torcedores. Hillsborough foi outra coisa. Foi o tiro de misericórdia. O Liverpool morreu naquele início de tarde de 15 de abril de 1989. Trinta anos depois da chegada de Bill Shankly ao clube, um momento que significou um renascimento absoluto da instituição, a sua existência chegou a um ponto definitivo. O Liverpool nunca mais seria o mesmo, assim como o futebol inglês.

Bob Paisley havia sido mais do que o fiel ajudante de Shankly. Os anos converteram o eterno número 2 no mais bem-sucedido treinador inglês de todos os tempos. Paisley tinha 64 anos, nove como treinador principal e mais de trinta nos quadros do clube. Ainda que inesperada, a sua sucessão aconteceu de uma forma ainda mais tranquila que a de Shankly, porque onde o escocês era puro fogo, Paisley sempre se movia com outro semblante sobre os corredores de Anfield. O público o amava e o respeitava. Mas não o idolatrava como a Shanks. Joe Fagan, o seu sucessor, sempre tinha estado ali também, desde o novo início que supôs a chegada de Shankly ao clube. Era o terceiro homem do Boot Room a assumir o controle do time, e isso garantia essa continuidade emocional e de gestão que tinha feito do Liverpool um clube especial. Os nomes mudavam, dentro e fora do campo, mas a dinâmica permanecia a mesma. E os êxitos continuavam a fluir com naturalidade. No final de 1984, o Liverpool tinha se convertido no primeiro clube inglês a vencer três troféus no mesmo ano. Uma segunda liga consecutiva, conquistada de forma autoritária frente a rivais de menor poder como Queens Park Rangers, Southampton e Nottingham Forest, e uma final da Copa da Liga conquistada sobre o vizinho Everton, chegou à quarta Copa dos Campeões Europeus numa noite mágica em Roma, com Bruce Grobelaar convertido em máximo e hilariante protagonista numa série de grandes penalidades frente aos rivais romanistas locais liderados por ninguém menos que Falcão, que tinha ao seu lado Toninho Cerezo e Bruno Conti.

Nesse momento, os seis troféus do Real Madrid, máximo vencedor do torneio, mas que não levantava o título desde 1966, pareciam bem acessíveis. E no ano seguinte, só para confirmar essa vibração, o clube chegou a uma nova final. Mas tudo já começava ruir. Fagan não era o líder que Shankly fora, nem o grande pensador tático que era Paisley, e a sua gestão era mais de bastidores que outra coisa.

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Jornalista e escritor. Autor dos livros “NOITE EUROPÉIAS”, “SONHOS DOURADOS”, “SUEÑOS DE LA EURO” e “JOHA: A ANATOMIA DE UM GÊNIO”.Futebol e Política têm tudo a ver, basta conectar os pontos.O coração de menino ficou no minuto 93 da final de Barcelona.Estudou comunicação na Universidade do Porto e morou mais de uma década em Madri.

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