Guerrilheiro chuta de bico

O futebol na vida de Carlos Marighella

Ilustração: Igor Bertolino
Livraria FC

O futebol na vida de Carlos Marighella

Por Fábio Felice

A quatro gols do milésimo, Pelé tentava alcançar a marca histórica em mais um clássico alvinegro no Pacaembu. Santos e Corinthians se enfrentavam com os portões abertos numa partida adiada da 13ª rodada do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, em novembro de 1969. No intervalo, a multidão nas arquibancadas vibrou com um inusitado anúncio feito pelos auto-falantes do lotado Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. A menos de cinco quilômetros dali, o DOPS-SP havia liderado uma emboscada que resultara no assassinato do inimigo número um da ditadura militar. O então líder da Ação Libertadora Nacional, o comunista, guerrilheiro e rubro-negro baiano, Carlos Marighella.

Filho de um italiano da Emilia-Romagna com uma negra baiana descendente dos malês, Marighella nasceu em Salvador em 1911. Ainda criança, o pequeno torcedor do Esporte Clube Vitória costumava fugir de casa para jogar bolas com os vizinhos. Preocupada com os sumiços do filho, Dona Maria Rita do Nascimento começou a amarrar os tornozelos do menino numa mesa, para que ele não escapasse, como conta o jornalista Mário Magalhães, autor de uma biografia publicada pela Companhia das Letras: “Eis que uma vizinha viu a cena e exclamou: ‘Dona Rita, não faça isso! Criança deixada assim assim acaba presa de verdade.'”

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