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O derradeiro brilho da estrela solitária

Pouca gente sabe além do básico mas, depois da passagem singularmente sublime pelo Botafogo, Garrincha se perdeu pelo Brasil afora e até por outros países, indo trabalhar como embaixador do café brasileiro na Europa. Quis o destino — e um grupo de empresários — que as pernas mais admiradas e engenhosas do Brasil fossem parar na Rua Bariri.

Manoel dos Santos chegou ao Olaria em 1972, após duas temporadas sem pôr os pés no gramado. Sua fase áurea ficara pelo menos sete anos no passado — desde que saiu de General Severiano, em 1965, sua vida simples porém desregrada fora dos campos começou a talhar as marcas no corpo frágil do anjo das pernas tortas.

Tudo o que Garrincha fez de glorioso no lado de dentro do campo já estava começando a ser soterrado. Dos gols indescritíveis e dos dribles incontáveis, em 1972 sobrava o pouco que praticamente sobrou até hoje [repare como sempre são os mesmos legendários dribles no Botafogo; a mesma arrancada de frente à câmera; os mesmos lances no Chile em 1962; mais dribles e o gol contra a Bulgária na Copa de 1966. Eis grande parte do inventário de restos mortais do gênio]. Suas passagens por clubes como Flamengo e Junior Barranquilla — onde jogou uma única vez — foram extremamente apagadas e, por mais que a torcida do Corinthians o tenha recebido de braços abertos, o herói da nação parecia um mau equilibrista, não sabendo coordenar sua vida de jogador com o casamento com a cantora Elza Soares.

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Jornalista e escritor paulistano que funciona todo dia a partir das 6h (inclusive domingos e feriados). Há muito, deixou de se intitular corinthiano e hoje ama a pelada, os de camisa contra os descamisados, o terrão no ar e tudo o mais capaz de emanar do esporte mais bonito da Terra.

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