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Quando a glória finalmente chegou

A Holanda conquistou a Euro de 1988 contra a União Soviética. No entanto, a vitória anterior, contra a Alemanha, foi o desafogo de uma nação.

Várias seleções têm, em sua história, uma vitória que as desafogam. Um triunfo altamente importante para lhes provar que as derrotas não são definitivas, que as coisas podem melhorar, que nem sempre elas são os times humilhados e sem esperança que foram um dia. Para o Brasil, a vitória contra a Suécia na final da Copa de 1958; para a França, provavelmente, os 3 a 0 sobre o Brasil na decisão do mundial de 1998;  a decisão da Euro de 2008 é o marco inicial da melhor fase da história da seleção da Espanha. 

Pois bem: a Holanda já teve uma dessas vitórias. Precisamente, contra a Alemanha, na semifinal da Euro de 1988, em 21 de junho. Um dia em que se libertou dos traumas, em que venceu um grande adversário, em que livrou-se das risadas de que sempre foi alvo – e de que voltaria a ser depois. Mais do que isso: um dia em que venceu um adversário figadal, alguém que sempre a sobrepujara, o seu maior e mais cruel algoz. Até em campos geopolíticos, já que as tropas alemãs mataram cerca de 250 mil pessoas e dizimaram o país, numa ocupação de cinco anos, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Só pela declaração do ex-jogador Willem van Hanegem à época, nota-se como a mágoa holandesa em relação à Alemanha era gigante, mais do que hoje em dia: “Eu os odeio. Eles mataram minha família. Meu pai, minha irmã, dois dos meus irmãos. Toda vez que eu enfrentava a Alemanha, ficava cheio de raiva.” Talvez por isso a Holanda tenha ficado longos minutos apenas tocando a bola durante a final da Copa de 1974: não era para manter a posse, mas para impor certa humilhação aos algozes. 

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