Foto: Leonardo Ramos Miranda

[dropcap size=big]O[/dropcap]s desafios de lançar uma revista, publicar a primeira edição e escrever o editorial são singularmente enormes. É um sentimento muito especial ver uma ideia tomar corpo e atrair pessoas que entenderam desde o primeiro momento o espírito que estava por encarnar no que hoje é a Corner.

Não se pode prescindir de princípios básicos num projeto em que a inovação é crucial. Adaptações e mudanças podem acontecer, obviamente, mas a essência não pode deixar de ser a mesma. O DNA da Corner é formado por pessoas que fazem diferente. Quem ousa lançar uma publicação em papel? Muitos. Mas quem realmente faz? Alguns. A Corner foi lá e fez. Superou os obstáculos mais elementares e as dicas de consultores que diziam: “este projeto só sai via lei de incentivo fiscal”, “o país não vive um bom momento”, “o mercado impresso é difícil”, entre outras assertivas desestimulantes.

Nesta primeira e em todas as próximas edições, o futebol vai ser uma enorme desculpa para falar de sociedade, cultura, história, política, artes, arquitetura, design, entre outras vertentes sociais. A Corner não vai, nem deve, noticiar nada. Todo mundo já sabe onde encontrar notícias. A intenção aqui é promover reflexões.

A Corner não é nenhuma invenção. Antes dela, outros loucos também se aventuraram em lançar um olhar cultural sobre o futebol e provaram ser possível fazer diferente. O atual cenário econômico do país gera incertezas e os modelos de negócio precisam ser revistos. É vital adaptar-se às condições mercadológicas. Mas isso não impede uma análise do que vem acontecendo com a ESPN Brasil que, além de uma das principais fontes de inspiração da Corner, é um canal responsável pela formação crítica de muitos.

Graças ao FC Barcelona, o movimento separatista da Catalunha ficou conhecido mundialmente. Mas também existe a autoproclamação do Kosovo como república independente. O profundo conflito nos Bálcãs é refletido num jogador muito especial, não somente por seu talento, mas pelas diversas seleções que ele poderia defender.

Uma capa sempre tem um propósito publicitário. Basta escolher um personagem midiático, agregar um título de impacto e está pronto o produto. Não foi esse o caminho de escolha da Corner. Dejan Petković fez muitos gols e conquistou alguns títulos como jogador, mas a capacidade de análise do Dejan é muito mais interessante do que todos os feitos futebolísticos do Pet.

Em 21 de março de 2015, durante a finalização da Corner, completavam-se oitenta anos do nascimento de um cara que subverteu a lógica do futebol inglês e europeu. Um treinador que tinha outras crenças, pensou e fez diferente. Brian Clough foi um craque também sem a bola nos pés e inspira no desafio de lançar uma revista num mercado enorme e tão consolidado como o nacional.

Apesar do momento delicado que o país e o futebol brasileiro atravessam, sempre continuarão surgindo boas histórias no mundo todo. E é exatamente isso o que você vai encontrar aqui.

Bem-vindo à Corner.

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