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Dinamitado

“Ei, você aí, o Dener já morreu, só falta o Valdir!”, naquele Flamengo e Vasco válido pelo quadrangular final do Carioca de 1994, a torcida do Flamengo entoava gritos como estes em direção à torcida do Vasco: “A, E, I, O, U, o Dener virou comida de urubu!”

A vitória rubro-negra com dois gols de Charles Baiano levou à euforia a criança que bradava no meio da multidão: “Ô, Bacalhau, senta no meu pau que eu te levo a Portugal!”

O Vasco seria campeão daquele campeonato, apesar da melhor campanha do Flamengo naquele quadrangular. O Cruzmaltino entrou com dois pontos de vantagem com relação aos seus adversários por ter tido um melhor desempenho na primeira fase (um ponto referente ao término em primeiro lugar no grupo A e outro ponto por ter feito a melhor campanha na Taça Guanabara).

Aquele time do Vasco, que conquistaria o tri carioca, era formado por alguns jogadores que marcaram a memória visual de um garotinho de 11 anos ao ver aquele uniforme da Finta e o patrocínio em diagonal vermelho da Coca-Cola. Yan e Gian, uma dupla que rimava e despontava naquela geração, pareciam ser os herdeiros de um time em busca de um novo grande ídolo.

Bebeto deixou o clube em 1992. Bismarck e Edmundo tinham saído em 1993 junto com Geovani, após seu regresso ao clube. Eram os tempos de Dener e Valdir como proeminentes jogadores do ataque vascaíno até a trágica morte do camisa 10.

Aquele garoto que via o Vasco pelo lado contrário, isto é, o da torcida rubro-negra, aprendia a odiar aquela camisa com uma faixa em diagonal já desde antes. O título brasileiro em 1992 marcou a vida deste menino. Na fase final daquele campeonato, quando, aos nove anos de idade, viu seu pai comemorar uma vitória do Vasco contra o São Paulo, essa criança não entendia como um êxito do arquirrival poderia ser festejado por quem lhe ensinava que aquele time da Cruz de Malta era pra ser odiado.

A coisa vinha de muito antes. A conversão no futebol vem de muito cedo. É uma religião que vai sendo imposta desde o berço e os ritos são paulatinos. Quando um tio falava em Dinamite, essa criança só ficava curiosa com o apelido tão explosivo, num “Fantástico Mundo de Bob” particular. Naquela época, o interesse por Ayrton Senna e pela Fórmula 1 era o que prendia a atenção do menino que falava que era Flamengo só porque era obrigado pelo pai.

Pouco tempo depois, o mesmo tio ainda falava em Dinamite e também em Geovani ou Bismarck. Nessa época, as memórias do pai chegando de cabeça inchada após o gol do Cocada em 1988 e em êxtase, no ano seguinte, após o gol de Bujica, marcavam a preferência prévia por um lado. O batismo desta religião futebol se dá quando a criança vai ao estádio pela primeira vez com um uso mínimo da razão e sente aquela emoção indelével ao ver bandeiras sendo agitadas e rolos de papel higiênico se desenrolando no ar em meio às fumaças nas cores daquele time, no caso, preto e vermelho.

Isso aconteceu no Maracanã num Fla-Flu em 1991, e o segundo jogo foi um Flamengo e Vasco, com Bebeto em campo. Chamado de “viado” incessantemente e sua esposa, Denise, que, até ali, essa criança não fazia ideia alguma de quem era e por que era chamada de piranha.

Esse foi o primeiro Flamengo e Vasco. O segundo foi aquele, em que Gian entrou com a camisa 21 no time titular. No meio do caminho, teve os duelos válidos pelo Brasileiro de 1992. Na primeira fase, uma vitória cruzmaltina que poderia ter sido humilhante não fossem os dois gols de Luiz Antônio que impediram um 4 a 0. Veio a segunda fase e o Flamengo passou por cima e se vingou.

Tudo isso é mais fácil de lembrar do que coisas que aconteceram há um ano. Os lugares onde aquela criança estava nos dias de cada um desses jogos. O mal-estar das derrotas e a alegria das vitórias são tão cristalinas que nem parecem ter acontecido no início dos anos 1990.

Essa criança virava adolescente e tinha visto o grande expoente da Copa do Mundo de 1994 chegar no seu time do coração. Em uma espécie de vingança do que Eurico tinha feito com Bebeto, o Chorão, como ficou conhecido. Era sensacional, pra um garoto que odiava o Vasco, ouvir do cara que trouxe o caneco pro Brasil que os cruzmaltinos deveriam levar lenços pro Maracanã.

Esse mesmo cara tinha dito que traria a Copa e, antes, tinha dito que levaria o Brasil pro Mundial. Era um jogador desgraçado de bom, de técnica singular e uma capacidade de definição cirúrgica. Ninguém via o que ele fazia no Barcelona e muito menos antes no PSV. Não havia transmissão dos jogos europeus com a fartura que viria a ter a partir dos anos 2000 e tal.

Aquele desgraçado tinha começado no Vasco. Naquele time que o tio falava de um tal de Dinamite. Que raiva. Dava um ciúme similar àquele quando a primeira namorada falava de um outro carinha que ela gostava no ano anterior. Aquele embrulho no estômago. Em meio à euforia e ao fracasso do ano do Centenário do rubro-negro, veio Edmundo, o Animal, formar o melhor pior ataque do mundo ao lado de Romário e Sávio. E no Campeonato Brasileiro de 1995, em um Flamengo e Vasco, a torcida vascaína gritava antes do pontapé inicial do segundo tempo: “Au, au, au, Edmundo chupa pau!”, e aquela criança nas antigas cadeiras azuis (nessa época já pintadas de amarelo e vermelho — que absurdo!) estava debaixo da torcida cruzmaltina e viu Edmundo colocar a mão no próprio documento em direção aos torcedores do time que o revelara. No entanto, uma treta com Romário acabaria com a efêmera passagem do Animal pela Gávea, culminada com a derrota para o Independiente na final da antiga Supercopa da Libertadores no Maracanã.

Edmundo foi personagem do ano do Centenário rubro-negro, que ficou conhecido como “Sem Ter Nada”. Um dos raríssimos jogos em que o “Melhor Ataque do Mundo” funcionou foi no jogo de volta das oitavas de final contra o Vélez Sarsfield nesse mesmo certame. Cada um fez um gol, mas o jogo ficaria para história com a imagem do Animal levando um soco do defensor argentino Zandoná.

Com um emaranhado de sensações ao ver jogadores virarem a casaca, Edmundo saiu do Flamengo para vestir a camisa do Corinthians, arquirrival do clube onde ele tinha sido bicampeão brasileiro. Mas também não duraria nada no Parque São Jorge. Logo depois, voltou pro Vasco e, após um ano, seria protagonista de um time chacoalharia tudo na cabeça daquele garotão.

O time de 1997 do Vasco não só sapecou o Flamengo com um baile na segunda fase do Brasileirão, com gols de Edmundo, como, em 1998, ganharia a Libertadores com um outro integrante naquela equipe que encantava o menino que, a essa altura, aspirava ser jogador de futebol.

Felipe tinha uma canhota e um estilo peculiar de jogar pela lateral esquerda que inspirava este rubro-negro. Era confuso. Uma dúvida e uma culpa em achar tão lindos um time e uma camisa, em especial aquela de 1998, ainda mais numa fase de afirmação, quando começa a surgir barba na cara.

Esse time “maldito”, campeão da Libertadores, tinha um estádio charmoso demais pra que um menino já com cara de homem aos 15 anos admitisse. Era muito ruim esse sentimento. E vinha à memória aquele jogo em 1993, entre Flamengo e Botafogo em São Januário, quando o Maracanã estava em obras.

Ali surgia uma admiração e uma certa inveja apesar de um rubronegrismo ainda exacerbado. Veio o ano de 1999, e o título do Carioca com gol de Rodrigo Mendes trouxe a chance de se dizer superior e de se autoafirmar diante daquele fantástico time do Vasco. Isso nunca vai ser compreendido por um vascaíno.

O ano de 1999 terminaria com o fim da relação entre Flamengo e Romário. Quando, no final daquele ano, o Baixinho assinou com o Gigante da Colina, veio a dor de um chifre. Aquela punhalada, uma dor na espinha. O Vasco jogaria o Mundial de Clubes, desta vez organizado pela Fifa e a ser realizado no Brasil no início do ano 2000. Era estranho imaginar Romário jogando novamente no Vasco, mas não só isso, ele jogaria ao lado de Edmundo, seu desafeto dos tempos de Flamengo. Sonhar com essa dupla rendendo pelo maior rival era um pesadelo praquele projeto de adulto.

Tinha passado exatamente um ano da final da Intercontinental, e aquele jogo traduziu exatamente o sentimento mais freqüente naquela época. A incapacidade de superar o Vasco em campo em 1997 obrigava qualquer rubro-negro a secar. A torcida Fla-Madrid simbolizava exatamente isso. Coube ao Real Madrid a tarefa de livrar a alma dos flamenguistas, que podiam respirar aliviados e se sentirem os únicos campeões mundiais do Rio. Mas o Mundial da Fifa estava logo ali. Restava aos rubro-negros torcerem para o Manchester United, Real Madrid e até — por que não — pelo Corinthians.

O título mundial significava muito. E Zico era o que era pro Flamengo graças àquele título mundial. Os jovens rubro-negros nascidos nos anos 1980 cresceram ouvindo as histórias daquela geração que tiveram o azar de não ver. Era tudo muito fantástico naquela narrativa. O time decorado, mesmo sem tê-lo visto uma vez sequer, era a prova da evangelização rubro-negra que esses garotos passaram: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior. Andrade, Adílio e Zico. Tita, Nunes e Lico.

Não importava se, na verdade, esse time, com essa formação, só tivesse atuado junto por quatro vezes. O time dos sonhos memorizado por muitos entrou em campo em quatro oportunidades, venceu três, uma delas contra o Liverpool, e perdeu uma vez. E foi contra o Vasco a derrota dos tão idolatrados 11 jogadores do Fla.

O Mundial de 2000 foi regado de suspeitas envolvendo uma suposta articulação política de Eurico Miranda, dirigente vascaíno de renome, protagonista de longa data nos imbróglios do futebol carioca e nacional desde os anos 1980. A definição dos participantes se deu de forma estranha, meio torta, já que o Vasco era o campeão continental de 1998 e foi escolhido como representante sul-americano para a primeira Copa do Mundo de clubes da Fifa no lugar do Palmeiras, que venceu a Libertadores em 1999.

Se houve ou não interferência de Eurico, fica a cargo de outra investigação. O futebol é um ambiente político, e o mandachuva do Club de Regatas Vasco da Gama à época sempre deu aula de como agir com o regimento debaixo do sovaco. Esse mesmo Eurico perduraria no comando da “sua” instituição e sua imagem se confundiria com a do clube e vice-versa. Eurico merece não só um capítulo à parte, mas, sobretudo, um livro. Que personagem.

Vale lembrar que, a essa altura, Eurico Miranda ainda não era presidente do Vasco. Ele só assumiria a presidência em 2001. Embora tivesse pleno protagonismo no futebol do clube e mandasse e desmandasse, o presidente era Antônio Soares Calçada desde 1983. Eurico entrou para a política do Vasco em 1967. Ele conhecia quase como ninguém a forma que a instituição funcionava e viria a comandar a partir de 2001 — ficaria no cargo até 2017, exceto no período em que Roberto Dinamite foi eleito presidente, de 2008 a 2014.

Não se tratava de uma candidatura da situação, pelo contrário, o maior ídolo do Vasco até os anos 1980 protagonizou um racha político no Vasco, e essa cisão provocou feridas que fizeram a grandeza do Vasco estremecer. Aquele menino, nessa época já adulto, flertando com a vida profissional na área da comunicação, começou a ver o jogador, cuja bola representava o maior rival que Zico teve nos gramados, duelar contra aquele que levou o Vasco ao mais alto posto durante um bom tempo.

Eurico trouxe sentimentos extremos para o torcedor vascaíno. Ao mesmo tempo que o mandatário levou o clube à glória continental, ele também trouxe danos colaterais que culminaram com o seu enfraquecimento político dentro do clube. Ao mesmo tempo que ele centralizava o poder, perdia apoio, e a figura de Roberto Dinamite, o maior estandarte da velha guarda cruzmaltina, foi usada nessa oposição política.

Noves-fora o rebaixamento em 2008, no qual Roberto assume a presidência com o clube na nona posição do campeonato e termina despromovido de divisão, o processo político e a verborragia de Eurico deixavam perplexo aquele rapaz, à época estudante tardio de jornalismo. Como um presidente que simboliza tanto a imagem de um clube colocava em xeque a figura daquele que era o maior ídolo dessa mesma instituição?

“O Roberto nem Vasco ele é.” Foi com essa frase que o aspirante a jornalista ficou perplexo. Independentemente se a pessoa torcia pra outro clube na infância ou se a família torcesse pra sabe-se lá quem, tratava-se de Roberto Dinamite. As memórias do tio desse jovem falando aquele nome explosivo na sua infância vieram à tona.

Pois bem, esse cara nem era nascido quando aquele Flamengo que todos decoraram a escalação perdeu para o Vasco por 2 a 0. Foi preciso pesquisar o contexto em que se deu aquele jogo da única derrota daquele “time dos sonhos”.

Flamengo e Vasco chegaram à decisão do Campeonato Carioca de 1981. O Rubro-Negro tinha vencido os três turnos disputados pelos 12 clubes e isso garantia a vantagem de um simples empate na primeira partida da final, que seria disputada em três jogos caso o Vasco vencesse os dois primeiros. E assim foi. Mas, antes, um detalhe nada irrelevante.

Roberto tinha 28 gols até o primeiro jogo da final de 1980. Às 18h30 daquele domingo, sob um calorzinho de 36ºC, Dinamite fez o 1 a 0, após cobrança de falta em que a bola bateu nas duas traves de Raul — veja no YouTube! O artilheiro vascaíno chegou ao seu gol número 29 naquele campeonato. Até ali, Zico era o vice-artilheiro com 21 gols. O jogo seguiu e o Vasco chegaria ao 2 a 0 com gol dele: Roberto, que deu uma arrancada desde a intermediária pela direita e chutou de fora da área, de canhota, e balançou as redes do velho Maraca, levando, assim, a decisão para mais um jogo. Apesar do favoritismo e de ter feito um primeiro tempo até melhor, o Flamengo ia precisar novamente de um empate na segunda partida.

No segundo jogo daquela decisão, pra resumir, aos 43 minutos do segundo tempo, a bola bate e rebate na área e sobra pra ele. Roberto. O artilheiro chegou ao 31º gol. O Vasco ganha por 1 a 0 e leva a decisão pro terceiro jogo. Pois bem, em 6 de dezembro de 1981, na terceira partida, o Flamengo venceu por 2 a 1 e ficou com o Carioca. Era o segundo título que o Rubro-Negro conquistava aquele ano. Dias antes, em 23 de novembro, Zico levantava a Libertadores e dias depois, aquele esquadrão passaria por cima do Liverpool em Tóquio.

Apesar da melhor campanha, as três partidas entre Vasco e Flamengo ficaram na memória de cruzmaltinos e rubro-negros. Para os vascaínos, aquele sabor amargo de terem perdido uma decisão com um cenário totalmente desfavorável contra um time fantástico. Ficou a sensação de que dava pra ter vencido. Mas só foi possível imaginar graças a Roberto Dinamite. Ele fazia frente a Zico, respeitava e era respeitado pelo Galinho de Quintino. Os grandes se admiram. Era um duelo Lionel Messi versus Cristiano Ronaldo dos trópicos no auge do futebol brasileiro dos anos 1980. Quem pôde ver isso no Maracanã por tanto tempo não sente nenhuma inveja de quem via Messi ou CR7 no Camp Nou ou no Santiago Bernabéu.

Esse cara que rivalizava com Zico foi perdendo espaço ao longo dos anos 1990 e início dos anos 2000. A conquista do Brasileiro com Edmundo, seguida pela Libertadores e o retorno de Romário, levando o clube a outro Brasileirão e mais um título continental, a Mercosul de 2000, fez com que esses dois expoentes ganhassem o coração de toda uma geração que crescia vendo aqueles times maravilhosos do Vasco. Roberto ficou pra trás, pelo menos para uma parte da torcida, nascida no início dos anos 1980 em diante.

A partir de 2001, começou um declínio esportivo e político do Vasco. Em 2002, Eurico formaria um time à sombra dos tempos dourados para a disputa do Torneio Rio-São Paulo. Os tempos de Nations Bank ficavam para trás e a geração de Siston, Léo Lima e Souza, seguida de Morais, não seria capaz de municiar com altíssima qualidade o time principal como Maricá, Felipe e Pedrinho fizeram anos antes. Apesar das contratações de Marcelinho Carioca e Petković, primeiro um, depois o outro, o restante do time nesse período estava muito aquém daquele que, assim como o Flamengo de 1981, todos decoraram: Carlos Germano; Maricá, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Luisinho, Nasa, Juninho e Ramon; Edmundo e Evair.

Não importava se, de fato, esse time só tenha jogado junto, com essa mesmíssima escalação, em duas oportunidades. Esse era o time base que encantou aquele garoto e fazia ele passar tanta raiva. O Vasco começou a se distanciar desse elenco estelar à medida que o tempo passava e o gol mil de Romário era o único pilar de grandeza ainda existente. A figura de Eurico parecia mostrar sinais de fragilidade pela primeira vez, quando resgataram o ídolo Roberto Dinamite para fazer frente ao mandatário vascaíno.

As eleições de 2008 simbolizaram uma ruptura histórica não só pela quebra da hegemonia euriquista, mas também representou um vácuo de poder que levou o clube ao fundo do poço, esportivamente falando, e, politicamente, viveria o início de uma disputa na qual não haveria vencedores e teria somente um derrotado: o Vasco.

Roberto Dinamite assumiu a presidência com o time na nona posição do Campeonato Brasileiro daquele ano e acabaria rebaixado. Muitos atribuem o fiasco à sua gestão e, outros, ao legado de Eurico Miranda. O que menos importa é discutir ou analisar esses fatos menores. Começava ali um processo de fritura em que Roberto e sua aura seriam levados à gordura fervente. Quando Eurico disse que “Ele nem Vasco é”, o jovem que quando criança ouvia tanto de Dinamite, se se perguntava se algo similar aconteceria no Flamengo. 

A idolatria de Roberto junto à “velha guarda” seguia intacta, mas aqueles que cresceram vendo Edmundo ou Romário como referência começaram a questionar a simbologia de Dinamite com o passar do tempo e os seguidos insucessos futebolísticos na sua gestão como presidente. Apesar da excelente campanha em 2011 e a eliminação dolorosa da Libertadores de 2012, que fizeram o vascaíno sonhar com uma retomada de lugar perdido no alto escalão do futebol brasileiro, os torcedores se afogariam na amargura dos anos que sucederam.

O fracasso esportivo levou Roberto a uma derrota não só eleitoral em 2014, mas, acima de tudo, uma derrota da sua imagem para aqueles que não o viram jogar e cresceram ouvindo histórias. Aquele que rivalizava com Zico foi quem, de uma forma ou de outra, enterrou o clube.

Apesar das controvérsias claras na afirmativa anterior, o torcedor não sabe bem quando separar as coisas. Se alguns gozam de imunidade, outros são incinerados. Com Roberto aconteceu mais bem uma incineração. A relação bélica com Eurico fez com que esse processo causasse danos quase irreversíveis à figura de Dinamite. Aquele que explodia o coração e estourava a garganta de muitos outrora se tornava um fantasma de si mesmo.

Em 2020, Roberto, que já foi deputado estadual graças aos votos de muitos torcedores daqueles tempos, não conseguiu se eleger vereador no Rio de Janeiro. No pleito, teve apenas 1.995 votos, que o tornaram apenas o oitavo candidato mais votado do partido ao qual é filiado, o Democracia Cristã, que não elegeu nenhum representante na Câmara Municipal.

Sinal de que ter sido eleito presidente do Vasco fez com que Roberto fosse dinamitado.

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Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.