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Hakoah e o Sionismo

Pouco antes de sofrer na pele uma das maiores tragédias humanas da história, a comunidade judaica austríaca encontrou no futebol a melhor forma de propaganda para a filosofia sionista. O SC Hakoah Wien tornou-se o clube que desafiou os grandes nomes do futebol da Europa Ocidental para defender a mensagem de resistência do povo judeu

A cultura futebolística das casas de café

Viena foi a capital do futebol europeu continental durante mais de uma década, e a cultura das casas de café tornaram o futebol um dos grandes símbolos socioculturais do antigo Império Austro-Húngaro. As múltiplas etnias que sobreviveram ao império e permaneceram na cidade utilizaram-no como bandeira de sua causa, e as tardes nas casas de café, entre charutos, bebidas e jornais, transformaram a natureza do jogo. O futebol deixou de ser um mero esporte para ser parte da consciência coletiva. Os grandes intérpretes individuais eram, pela primeira vez, tratados como heróis, e surgiam os primeiros teóricos táticos, capazes de discutir a validade do 2-3-5, que estava prestes a conhecer o seu ocaso.

É nesta realidade, neste caldeirão de culturas, que o futebol deu seu salto definitivo, transformando-se em algo muito maior. A escola da Europa Ocidental, a mesma que hoje sobrevive na herança do futebol holandês na Catalunha, desenhou-se com as palavras de Jimmy Hogan e as conversas dos seus teóricos e praticantes. E foi neste ambiente burguês, cosmopolita e até elitista, que a comunidade judaica de Viena mostrou seu verdadeiro poder. O futebol, para os judeus austríacos, tornou-se veículo fundamental para a afirmação de sua causa, a busca da terra prometida.

A filosofia do judaísmo muscular

No século XIX, desenvolveram-se várias teorias sionistas no antigo Império Austro-Húngaro, o Estado que maior número de judeus acumulava à época. Hebreus que alimentavam o velho sonho de voltar para casa, Israel, colocando um ponto final numa diáspora milenar. A presença do exército turco era o primeiro, mas não o único impedimento, e, de certa forma, os judeus europeus desconfiavam tanto dos governantes europeus como dos turcos. A forma como a comunidade tinha sido deslocada para guetos nas grandes cidades deixara suas marcas.

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Jornalista e escritor. Autor dos livros “NOITE EUROPÉIAS”, “SONHOS DOURADOS”, “SUEÑOS DE LA EURO” e “JOHA: A ANATOMIA DE UM GÊNIO”.Futebol e Política têm tudo a ver, basta conectar os pontos.O coração de menino ficou no minuto 93 da final de Barcelona.Estudou comunicação na Universidade do Porto e morou mais de uma década em Madri.