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Lex Leverkusen

A exemplar estrutura financeira da Bundesliga é um dos principais motivos para o crescimento sustentável de uma renovada liga alemã. Esse modelo parte da base da aplicação do 50+1, uma norma que impede, em tese, a entrada de empresas e magnatas no comando dos clubes. Mas há exceções. A “Lex Leverkusen” é a lei que restringe que a prática de investidores alheios ao futebol seja aplicada nos clubes da Bundesliga.

Em 1999, o futebol alemão começou a perceber que se encontrava num beco sem saída. Um ano depois, a desastrosa apresentação da seleção nacional na Eurocopa deixou claro que o poder da Mannschaft estava desaparecendo junto com a força da Bundesliga. Durante a década de 1970, a competição emergiu como uma das mais apaixonantes da Europa. Nas duas décadas seguintes, a confiabilidade e a frieza dos times alemães se mantiveram à prova entre as principais competições da Europa. Mas o modelo em voga estava em decadência já em meados dos anos 1980. As autoridades federativas e os clubes demoraram quase uma década para reagir, mas, quando o fizeram, foi no estilo alemão. Aplicaram medidas de base que revolucionaram por completo a natureza do futebol profissional teuto.

Renovaram as estruturas de formação — obrigando a todos os clubes das ligas profissionais a ter um centro de formação de primeiro nível — e os estádios, e os times adotaram uma nova cultura tática distanciada do velho modelo do líbero popularizado por Beckenbauer e Matthäus. No final da década de 2000, a metamorfose estava consumada por completo. Não só o número de torcedores da liga tinha aumentado para números recorde como uma nova geração de talentos, treinadores e times se preparava para devolver a Alemanha ao seu lugar histórico.

A lei 50+1

Parte do sucesso dessa transformação encontra-se na aplicação da lei dos 50+1. A legislação da renovação do futebol alemão, com o modelo 50+1, proíbe que qualquer indivíduo ou empresa detenha mais de 49% de um clube. Sem maioria, não há a menor possibilidade de um clube ser controlado por um só grupo ou pessoas. Metade da instituição, mais o fundamental 1% de desempate, tem de pertencer sempre à massa de sócios. Uma realidade que garante que os clubes sejam geridos para os seus seguidores e que explica a política de preços acessíveis à torcida. Com essa gestão dos sócios, as contas dos clubes foram saneadas, os estádios voltaram a encher e o futebol alemão despertou para uma era de prosperidade.

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Jornalista e escritor. Autor dos livros “NOITE EUROPÉIAS”, “SONHOS DOURADOS”, “SUEÑOS DE LA EURO” e “JOHA: A ANATOMIA DE UM GÊNIO”. Futebol e Política têm tudo a ver, basta conectar os pontos. O coração de menino ficou no minuto 93 da final de Barcelona. Estudou comunicação na Universidade do Porto e morou mais de uma década em Madri.

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